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às vezes é o coração, fica redondo, apetece-lhe outras formas, outros desígnios menos diastólicos. quem pode, perdoa-lhe e vai suspirando pelas escadas como uma virgem oitocentista.
outras é só a leitura do jornal daquele dia, ou o amigo que ia telefonar e não telefonou. mas quase sempre é uma espécie de sinusite sináptica, um congestionamento das memórias, uma confusão de espelhos, como a promiscuidade de sujeito e objecto. nada é fácil como ver as paisagens e passar, da mesma maneira que fazem os comboios. os comboios e as suas cartografias neuronais, a paragem em todas as estações. a próxima é terminal.
agora é a vez do corpo.
a minha promiscuidade tem sido um exercício platónico.
é facto conhecido como alguns condomínios proibem a presença de animais domésticos no domícilio dos condóminos. não vejo como uma iguana possa perturbar a paz reinante da vizinhança. há cães que podem causar incómodo unicamente porque ladram, mas raças há e espécimes que não o fazem. a pacatez dos felinos não me parece atentado algum à comodidade alheia.
mas o que eu gostaria realmente era de encontrar um condomínio cuja expressa proibição dissesse respeito a crianças. muito especialmente as crianças que estão a aprender violino.
depois da obra seminal anti-édipo, queria realmente ler a incriada obra «anti-jocasta».
fez ontem 100 anos que nasceu bette davis.
“You know what I’m going to have on my gravestone?
‘She did it the hard way.’”
abril é, na definição eliotiana, o mês mais cruel. sem escolhas ou determinações que não as do acaso e arbitrário, este registo de autos existenciais e, sobretudo criminais, tem o seu início neste mês poeticamente cruel.
em inglês, os meses do ano servem também para nomes baptismais e avril é um dos mais comuns.
e abril traz também a primavera furiosa e pagã, a mesma primavera de stravinsky, de que adorno disse ter sagrado apenas a barbárie.
