é manhã, retiramos os pés da nudez do sono e vestimo-nos

de hábito e quotidiano

ainda ontem homero nos cantava

mas hoje só a farmácia

é o ateneu dos quatro ventos

com que nos salvamos

é manhã e o silêncio abriga-nos do frio.

olham-se os rostos limpos, mas ninguém se atreve:

furtivamente, como uma criança depois de ter fugido da escola,

ficamos à espera sem saber

que foi há muito tempo atrás

é manhã

e não devíamos acordar para morrer